Borra de Café
Vejo a espuma do café,
empurrada pela colher,
sentir-se ultrajada
ao girar na sua chávena.
Parei,
e despejei a saqueta de açúcar.
Não me importa,
ser alguém que parece,
naquela cadeira de plástico barato,
enquanto misturo e ultrajo o café,
e o hábito é vasto
de ser olhado por olhos que não
sabem dizer quem sou,
nem a mim,
nem a eles próprios,
e passam, vagos e tristes,
vazios, e
os pensamentos de outras realidades
são-nos como o café,
empurrados por uma colher.
Parei de mexer.
A colher está no pires,
suja,
com borra de café.
As ideias já não giram,
como o café,
e as entidades perdem-se na calçada.
Reina a indiferença
naquela chávena,
e vive-se na Baixa
odiando o vizinho sem o conhecer.
É comum, chamarem-me de “borra”.
E eu sorriu, quando bebo o café.
2 comentários:
Gostei da metáfora.
Mas o que é iiiissooo, padrinho Hugo?! Um erro?! Aiaiai.
Belo poema! Que personificação da espuma do café :)
Beijos
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