Domingo, 24 de Outubro de 2010

Borra de Café

cafeomancia-3209-66

Vejo a espuma do café,

empurrada pela colher,

sentir-se ultrajada

ao girar na sua chávena.

Parei,

e despejei a saqueta de açúcar.

Não me importa,

ser alguém que parece,

naquela cadeira de plástico barato,

enquanto misturo e ultrajo o café,

e o hábito é vasto

de ser olhado por olhos que não

sabem dizer quem sou,

nem a mim,

nem a eles próprios,

e passam, vagos e tristes,

vazios, e

os pensamentos de outras realidades

são-nos como o café,

empurrados por uma colher.

Parei de mexer.

A colher está no pires,

suja,

com borra de café.

As ideias já não giram,

como o café,

e as entidades perdem-se na calçada.

Reina a indiferença

naquela chávena,

e vive-se na Baixa

odiando o vizinho sem o conhecer.

É comum, chamarem-me de “borra”.

E eu sorriu, quando bebo o café.

2 comentários:

Anónimo disse...

Gostei da metáfora.
Mas o que é iiiissooo, padrinho Hugo?! Um erro?! Aiaiai.

R.Joanna disse...

Belo poema! Que personificação da espuma do café :)

Beijos