Foi preciso entrar numa livraria!
Ver todas aquelas letras
Sentadas em cima de páginas,
Bailando ao som do nada
E das mentes que se fazem ouvir,
Intelectuais
E exuberantes, cheias de pensamentos.
Bolas! Foi preciso entrar numa livraria
Para que me viessem as palavras!
Foi preciso abrir um livro
Para que aquele cheiro a letras
E a nada com sabor a tudo,
Entrasse nas veias
E me enchesse a mente
De novas palavras.
Dos autores,
Oiço as suas vozes.
Já conheço maior parte da sua vida!
Sei que o outro foi ―virado‖
E que havia um que fumava ópio!
Para nomes tenho pouco jeito.
Mas sei que a eles devo as minhas
Palavras de agora,
Que escrevo emaranhados
Com as linhas do papel,
Tortos pensamentos,
Que estão direitos e um pouco
Tísicos, assim mesmo intelectuais.
Por amor à santa!
Foi preciso ler a palavra,
Gritar com a mulher da bancada,
Dobrar a capa do livro,
E a seguir fingir-me autor
Para o poder levar de graça!
Não caiu,
E ainda levei um murro do segurança.
Foi preciso um olho negro
Para voltar a escrever!
Amaldiçoei-me mil vezes pelo vandalismo
E senti-me vazio.
Bolas! Que droga é esta de livros?
Queimar as páginas e fuma-las,
Saboreá-las realmente,
Ter o êxtase de tudo e nada,
Do silêncio que enche todo aquele conhecimento!
Ter a «fobia do papel branco»
E cura-la com injecções de pasta de papel
De jornais e enciclopédias
E almanaques de poesia
E romances de faca e alguidar!
No final havia sempre plágio…
Não,
Acho que prefiro fumar as páginas,
Assim sempre controlo o produto.
Sentir os livros,
Ser rude como um rude português,
Que coça a micose e cospe para o chão
E atira um piropo à mulher que passa!
Ser revoltado e indignado,
Não me contentar com nada,
Estar insatisfeito
E querer mais todos os dias!
Sentir os livros de forma rude e insaciável.
E fumá-los página a página.
Sentir esta intelectualidade fútil
E ignorante!
Querer saber tudo e mentir,
Página a página,
Docemente e por palavras meigas.
Escrever versos soltos
E no final,
De corda e lápis na mão,
Uni-los todos numa confusão
E chamar-lhe de ―poema‖.
Treta para o leitor,
Quero eu percebe-lo
Ao sê-lo egoísta,
E no final termina-lo com um
«Nem imaginas o que acontece a seguir!»
E declara-lo completo.
E depois fumar a página!
Realmente,
Foi preciso ler um livro
Para querer escrever outro!
É tipo cadeia cíclica.
Coitados daqueles que nunca leram!
Morrem velhos…
Azar o deles!
Bolas…
Estou pedrado!
Escrevi este poema há já imenso tempo, mas só agora estou a publica-lo, espero que entendam a mensagem!
2 comentários:
Chocapic, moca-te mais vezes por favor!
Beijinho da Babe!
Bolas, Chocapic. Tu tens um DOM! Espero que tenhas noção disso.
Bolas pá, que inveja :P
Vê se fazes uso dele, e vais longe, a sério.
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