Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

Vida Académica

Voltara a pisar a calçada do Chiado.
E doíam-me os pés,
com as solas gastas
de uma garganta enegrecida e rouca,
cantando bem alto
"Como amo Lisboa"
e falando sozinho,
para que só o vazio da pasta soubesse,
que sei quem sou,
e que me sinto parte de algo maior.

Tracei a capa,
pesada não pela água suada
nem pela sobriedade há muito distante,
mas pela honra do negro
e de ser estudante,
levando a serenata na ponta da língua,
conhecida e entoada,
para fazer parecer algo improvisado,
criado,
de propósito para ver o brilho no teu olhar.


Sentir as pedras da calçada,
as pedras de Lisboa,
e ver-me reflectido na água
que te consagra com a boémia
vida de estudante.

Sei quem sou,
e não temo por quem me tornarei.
Sei quem sou,
e conheço quem estará a meu lado.

E trajado,
de capa traçada,
Baptizo-te.

2 comentários:

Marisa disse...

adorei, está lindo padrinho! (para mim serás sempre padrinho :$)

Hugo Ferreira disse...

Obrigado Marisa!
E para mim és sempre afilhada :P